quinta-feira, 16 de julho de 2009

De gatos também...



Já contei essa história um dia num e-mail pro programa Cafezinho da rádio Poprock, de uma vez em que a minha gata, a Mimi, me agraciou com um lindo pardal de presente.

Ele estava meio quieto quando o vi, talvez por estar morto, mas devia ser uma gracinha se mexendo.

Gatos fazem isso. Eu já sabia, mas nunca tinha vivenciado essa experiência. No meu apartamento antigo, térreo, tinha o maior plantel de lagartixas desrrabadas do estado, quiçá do país, pois ela volta e meia entrava com uma pela janela. Trazia para brincar dentro de casa, talvez pra me mostrar, sei la. Algumas morriam, é verdade, mas a maioria ela deixava escapar e elas viviam um bom tempo pelo teto do apartamento, com aquelas caras de apavoradas e mochas de rabo, pois vocês sabem que a lagartixa tem essa particularidade, quando se sente ameaçada ela solta o rabo que fica saltitando e se retorcendo, distraindo o predador, propiciando a sua fuga.


Pois bem, ela fazia dessas coisas. Um dia foi um sapo. Tomei um cagaço com aquele bicho morto no meio da sala; outro dia foi um camundongo, mas este ainda estava vivo e consegui salvá-lo. Muitos pensarão que eu devia tê-lo matado, mas se vocês vissem a cara dele... coitado. Por sinal, não fui eu a salvá-lo, e esta é mais uma coisa inusitada que vou contar, a minha namorada, a Bianca estava la em casa e junto com a minha filha, a Júlia conseguiu cercar o bichinho e colocar la na rua, pela janela. Até aí, tudo bem, mas o detalhe é que a Bianca pegou o bicho pelo rabo, na maior tranqüilidade soltando ele la fora. Elas não ficaram com medo dele!!! Quem já viu mulher sem medo de rato? Impressionante, não é?


Bom, voltando ao pardal, um dia acordei, ou melhor, fui acordado pelo rádio relógio e levantei daquele jeito, meio zonzo; sem acender a luz fui em direção ao banheiro e notei um vulto inerte no chão, bem na porta do quarto, em frente ao banheiro. Como já estava acostumado com essa mania da gata, acendi a luz já imaginando um sapo ou algo do gênero.

Qual não foi a minha surpresa ao ver ali o inanimado pardalzinho. Confesso que se a gata estivesse por perto teria feito alguma coisa bem horrível com ela, pois fiquei muito brabo.


Bem, não tinha muito que fazer; juntei o bicho e como ninguém reclamou o corpo, foi sepultado como indigente. Joguei no lixo. Voltei aos meus afazeres higiênicos e excretórios matinais, que não merecem maior detalhamento aqui e, do banheiro dei uma sacada no quarto. Na penumbra notei algumas coisas no chão. Um pouco pelo lusco fusco da falta de luminosidade, outro pouco pelo meu torpor matinal, aqueles volumes não tomaram uma forma definida na minha visão.

Poxa, não sou tão relaxado assim. Aquelas coisas pareciam bolas de pó, como quando se abre um sótão ou porão mal-cuidado. Acendi a luz para ver o que era...


A gata deve ter pressentido qual seria a minha reação, pois mais uma vez não estava por perto. O que eu via no chão do quarto era uma quantidade incrível de penas do malfadado pardal. Espalhadas pelo quarto, mas como pode aquele bicho ter tanta pena? Agora, pensando nisso me ocorreu que talvez fossem dois e ela tenha comido um e deixado o outro pra mim. Será? Putz...


Bom, la vou eu de novo, limpar a bagunça dela. Meu aspirador de pó estava quebrado, então peguei a vassoura para varrer as penas, ou melhor, tentar varrer. Duvido que alguém aqui já tenha tentado isso. Imaginem a insustentável leveza de penas e penugens de pardal.

A cada passada da vassoura elas esvoaçavam e caiam atrás da vassoura.

Não todas, é verdade, mas na próxima vassourada elas se revezavam e trocavam de lugar.


Que trabalheira! Mas eu adoro a minha gata. Ela é um barato e nos divertimos muito com ela, eu e a Júlia. Agora moro num apartamento no primeiro andar. Ela continua com suas excursões e esses dias me trouxe uma pomba, mas desta vez eu peguei ela “na tampinha” e fiz ela se arrepender dos seus instintos de felino.


Mudei há alguns meses daquele apartamento, quase um ano depois desse evento.


Na mudança foram encontradas várias penas de pardal, até debaixo do roupeiro, junto com os confetes de uma festa que a Júlia fez com as amigas no meu quarto, mas essa é outra história...







Aquele abraço...










Aliás, quem conhece e gosta do programa, pode ouvir uns “pingos de café” e prestigiar o meu outro blog, o Café em Gotas. Ta bem legal, eu juro.




quinta-feira, 9 de julho de 2009

A nova escola


Esta semana debateram no Cafezinho sobre educação ou as diretrizes das escolas, o relacionamento escola/aluno nas instituições privadas e um conceito relativamente novo de escola-empresa, onde existem clientes antes de alunos.

Isso me fez lembrar dos tempos de faculdade, quando cursava pedagogia e debatíamos incansável e apaixonadamente a problemática da educação no país de forma ampla, geral e irrestrita. Planejávamos todas as mudanças que implantaríamos no sistema educacional com nossos projetos revolucionários, nosso espírito de luta e vontade de acertar. Quase todos tínhamos projetos e idéias maravilhosas para cada problema ou deficiência do sistema.

Acredito muito nos professores. Quase todos preocupam-se em transmitir seus conhecimentos, educar e formar cidadãos de bem. Sabem que crianças e adolescente necessitam limites e noções morais como a relação direito/dever; lutam pela instituição escola e prezam acima de tudo a formação dos alunos, mas esta é uma luta inglória, uma vez que são meros empregados e devem cumprir as determinações da direção da escola, e esta , mesmo que bem intencionada necessita manter aquela “clientela”; tem metas de faturamento e tudo o mais, então, infelizmente preocupam-se mais em cativar o cliente do que em educar o aluno.

Muitos professores bons estão desempregados por bater de frente com direções de escolas e pais de alunos. Muitas vezes, por levar seu trabalho a sério, querer educar e formar cidadãos de bem, responsáveis, éticos, são vistos como durões, ranhetas, ranzinzas.

Esse conceito de cliente nas escolas criou-se, como tudo numa economia de mercado, pela exigência da "clientela". Esses dias li uma frase assim: Que crianças estamos entregando às escolas? Esta é a pergunta que devemos nos fazer. Os pais querem entregar os filhos à escola e recebê-los prontos, educados, cultos e formados, e não aceitam quando não funciona, culpando a escola e cobrando o serviço, a seu ver, mal prestado mas bem pago. Não são aceitos questionamentos ou críticas ao comportamento de seus filhos, pois os professores estão ali para ensinar as matérias, não bons modos, e tem que aprender a lidar com os alunos sem reprimir suas formas de pensar ou se expressar. Antes quando vinha uma “nota vermelha” no boletim o questionado e cobrado era o aluno, hoje é o professor.

Resumindo; os valores estão se perdendo antes. Essa atitude das escolas é só um reflexo dos anseios da sociedade. Elas se deixaram corromper, mas não existe corrupto sem corruptor.

Creio que devemos educar nossos filhos para irem à escola e não mandá-los à escola para serem educados. Vejo a escola como um auxiliar na educação dos meus filhos. Tem que me ajudar nessa tarefa, mas ela é minha. Tudo bem que a escola deva passar valores como educação, respeito, honestidade; exigir civilidade e ajudar na formação moral e ética das crianças e jovens, mas esta tarefa é primordialmente dos pais. Da escola espero apenas que me ajude e cumpra a sua missão acadêmica.

Aquele abraço...


quinta-feira, 2 de julho de 2009

Fábula


Era uma vez, num reino tão, tão distante...


Um rei insatisfeito com o percentual de aprovação do seu reinado que, conforme os institutos de pesquisa da época, oscilava muito devido à qualidade dos serviços que o estado prestava.

Este rei queria aumentar o número de súditos satisfeitos, mas não conseguia competir com outros reinos que ofereciam um serviço muito mais ágil e prestativo. Aos seus olhos o povo não estaria bem servido, e isso atrapalhava seus planos de trazer novos súditos de outros reinos. Também poderia fazer com que uma parcela do seu povo migrasse para estes outros reinos onde seria atendido senão na plenitude dos seus anseios, pelo menos em parte e com alguma perspectiva de melhora, melhora essa que parecia quase impossível ali, uma vez que os processos eram sempre lentos, travados nos meandros da intrincada e burocrática máquina estatal medieval.


Na verdade o rei delegava as tarefas administrativas a vários servidores, alguns fiéis, outros nem tanto. Estes delegavam as tarefas a subalternos e assim sucessivamente. Os serviços diretos à população eram prestados por servidores de mais baixo escalão, os vassalos por assim dizer. Era quase escravidão, mas eles os tratavam como reis.


Acontece que alguns desses servidores cumpriam suas obrigações de forma muito limitada, pois tinham estabilidade em seus cargos. Às vezes aproveitavam-se da burocracia e das normas para desincumbirem-se das obrigações sem mesmo cumpri-las, passando para outro, adiando, deixando cair em esquecimento.

Não havia interesse na excelência do serviço prestado, pois o estatuto do reino previa a sua estabilidade e a preservação do seu trabalho, não importando a satisfação do povo. Mesmo sendo o povo, mantenedor direto dos seus empregos, uma vez que era a razão primeira da sua existência, e também porque o dinheiro que pagava seus salários provinha deste mesmo povo, pela arrecadação de impostos, muitas vezes injusta e cobrada sabe-se lá de que forma.

Ao mesmo tempo estes trabalhadores alegavam ser muito pouco o quanto recebiam por tanto trabalho.

Eram obrigados a trabalhar muito mais do que o acordado, tinham que usar gravata e as colegas não podiam nem usar mini-saia.


Eram as normas, e normas sempre foram normas...


A mesma lei que garantia o emprego o transformava em algo maçante e massacrante e isto se refletia no atendimento ao público.


O rei não tinha sequer autonomia para simplesmente contratar mais servidores devido ao mesmo estatuto.


Como resolver então esse impasse?


Os outros reinos não tinham essa limitação estatutária. O que mantinha um vassalo no seu posto de trabalho eram o seu desempenho e a satisfação dos seus clientes, digo, do povo.


Então o rei pensou que poderia usar outras pessoas para fazer o trabalho dos seus “funcionários”, pagando somente pelo que produzissem, sem dar, porém, a estes o mesmo status dos outros nem as vantagens e garantias do estatuto. Estas pessoas trabalhariam sem um vínculo direto com o rei, mas por conta própria. Conta e risco, diga-se de passagem.


Que idéia!


Pessoas trabalhando motivadas, senão pelo prazer de prestar o serviço, pelo temor de perderem seus trabalhos.


O rei poderia atingir a competitividade tão almejada e com isso a satisfação do povo, criando atrativos para que mais pessoas viessem ao seu reino usufruir destes serviços.

Acabaria de vez com as queixas dos trabalhadores antigos que teriam sua carga dividida e deixariam de reclamar do excesso de trabalho. Os novos trabalhariam satisfeitos e agradecidos pela oportunidade e, no caso de alguma insubordinação ou erro o rei poderia simplesmente mandar decapitá-los e substituí-los por outros mais competentes, interessados ou com mais amor aos próprios pescoços, e o povo estaria finalmente bem atendido em seus anseios e necessidades...


Foram tempos de plena satisfação e tranquilidade. Paz e alegria no reino.


Por um tempo...


Não foi o rei quem contratou diretamente estas pessoas. Delegou esta tarefa a alguns servidores de sua confiança. Estes fizeram o mesmo...

Como alguns servidores não eram tão fiéis assim ao rei, contrataram amigos visando proveito próprio em detrimento dos interesses do reino, pagando bem mais do que o merecido, fazendo o rei acreditar na real necessidade daquele serviço e na presciência e imprescindibilidade daquele contratado.


Funcionou por um tempo sem que alguém se desse por conta ou se importasse muito, pois o povo estava feliz, o rei estava feliz, os vassalos estavam felizes, os novos contratados estavam felizes e estes outros superfaturados estavam mais felizes ainda.


Até que houve uma denúncia.


Nem foi bem uma denúncia. Um dos servidores, insatisfeito, não se sabe o motivo, mas se imagina, resolveu falar sobre detalhes de alguns destes contratos e questionou publicamente o rei, a rainha e toda a corte.

Os arautos, cantadores e menestréis se encarregaram de anunciar e espalhar este escândalo que tomou proporções e direções imprevistas, atingindo até aqueles que se viam em posições privilegiadas na administração do reino.


Um diálogo como este foi ouvido e depois relatado por uma rã falante:


- As irregularidades estão em contratos de prestação de serviços, certo?

- Sim, mas a maioria dos contratos é legal. Não têm irregularidades.

- Não importa. Vamos cortar algumas cabeças...

- Ta, mas e as fraudes? Quem contratou? As pessoas vão querer saber e ver os culpados punidos, presos, degolados...

- Vamos fazendo assim por enquanto. Acabamos com esta bagunça. Tudo se acalma e vamos comer uma pizza. No final das contas, o povo não importa tanto assim quando não tem eleição...

Seguiram falando, dobrando um corredor à esquerda, saindo do alcance da audição da rã.


- Mas, peraí; não tem eleição para rei. Agora entendi menos ainda... disse a rã para si mesma pulando da janela do castelo para uma folha próxima e dali para um galho, do galho para uma pedra perto de onde estava recostado um daqueles menestréis saboreando uma suculenta fatia de pizza...



Fim (?)



sexta-feira, 26 de junho de 2009

Coisa boa! Chegou o inverno...


Chocolate quente, pinhão, quentão, mocotó, feijoada, puchero, vinho... Subir a serra no final de semana, fondue... de queijo ou chocolate? Tanto faz... roteiros turísticos de vinhos, casacos fofos, botas de pele, luvas e cachecol.

Claro que curto tudo isso, as coisas boas do inverno, mas se a gente pudesse desligar o frio depois seria melhor.

Pra mim já tá de bom tamanho. Já fez frio, já choveu, geou, até neve teve.

Pode começar a primavera.

Muitas pessoas só vivem no inverno.

Inverno e adjacências. No resto do ano ficam esperando o inverno chegar.

Eu to fora.

Frio + chuva é uma combinação terrível. Quem precisa trabalhar ou estudar; cumprir horário sofre nesta época.

Como diz o meu amigo Marcus, o frio dói. Ele entra no trabalho às 6 da manhã. Acorda e sai de casa perto das cinco da madrugada. Eu que nem preciso sair tão cedo já acho brabo.

Hoje eu saí de casa com a minha filha às 7:16h e o termômetro da esquina marcava 6 graus. Ainda bem que ali não venta muito.

Pobre dos piá...

Até entendo os turistas que vêm de todas as partes do Brasil para a serra gaúcha no inverno querendo ver neve. Na maioria das vezes voltam frustrados para seus estados. Mesmo assim, a cada ano la vem eles de novo. Tudo bem, melhor para o setor hoteleiro e turístico em geral. Entendo aquelas pessoas que tem problemas de pressão arterial ou alguma outra disfunção do aparelho circulatório ou renal, pois passam mal no calor, mas quem mora aqui e tem isso todos os anos, vários meses por ano?!? Por favor...

Gostam do inverno por gostar. Acham bom.

Qual a graça que tem ficar o tempo todo encarangado, socado dentro de casa olhando a chuva na janela? O pessoal espera a chegada do frio e fica fugindo dele, se escondendo.

Nada contra. É que fico intrigado; como algumas pessoas podem gostar do frio.

E tem outra coisa, muitas pessoas sofrem realmente com o frio. Morre gente por aqui se o inverno é rigoroso. Quando vejo pessoas torcendo que faça muito frio para que possam usar seus casacos ou comer isso ou aquilo, ou quando ouço algo como “Gosto do inverno porque a gente pode se vestir melhor. As pessoas ficam mais bonitas...”, lembro das pessoas que vivem na rua, sem ter sequer uma meia para aquecer os pés ou um cobertor para se cobrir.

Sei que não faz a menor diferença eu querer que faça frio ou calor, mas prefiro quando as estações são menos rigorosas. Inverno ou verão.

Prefiro amenidades, mas aí tem o seguinte; adoro a minha cidade, meus vizinhos, minha família, meus filhos, meu sotaque, meu Grêmio, meu RIO Guaíba, chimarrão, BomFim, Redenção, Gasômetro, enfim, quase tudo em Porto Alegre; não é por um friozinho mixuruca desses que vou pensar em mudar daqui.


Aquele abraço


sexta-feira, 19 de junho de 2009

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Filhos, melhor não tê-los.


Quem terá sido o gênio que forjou essa pérola da ignorância? Quem não teve filhos perdeu essa grande oportunidade de crescimento que a vida nos proporciona. Se bem que alguns tem filhos e mesmo assim perdem a oportunidade.


Particularmente, prefiro tê-los. Curto muito isso e agradeço sempre por eles serem meus filhos e pelo discernimento que me foi dado para perceber a importância que teríamos mutuamente.


Tenho dois. Um guri com 25 anos e uma guria com 13. Cada um deles ao seu tempo e do seu jeito foi aos poucos colorindo e iluminando a minha vida com suas manias, carências, conquistas, alegrias, amor, teimosia, enfim, todas estas emoções e características que tornam a relação humana pai/filho tão interessante e apaixonante.


Meus casamentos não duraram muito, mas os frutos foram ótimos. Meu gene deve ser mais forte, sei la.


Graças a Deus, sempre soube valorizar a condição de pai e reconhecer o valor dos meus filhos e procurei retribuir dando tanta atenção quanto me era possível. Apesar da distância física que por vezes existiu, procurei estar sempre presente, ser participativo e atuante. Sendo limitado como todo ser humano, obviamente cometi meus erros. Certamente muitos deles. Sempre querendo acertar, mas não usei essa desculpa como justificativa. Acho importante reconhecer os erros, principalmente quando a intenção é boa. Creio que fortalece a relação com os filhos. Mostrando-me humano, real, posso respeitá-los na sua individualidade, aceitar suas limitações e obter o mesmo deles. Creio que gera uma relação verdadeira, sincera. Nunca me considerei melhor que ninguém, porque teria esta atitude com relação às pessoas que mais amo?


Já falei isso muitas vezes, mas gosto de repetir, porque gosto de elogiar meus filhos, gosto que eles saibam quanto os admiro. Muitas vezes pessoas mais jovens, pais frescos ou mesmo mais experientes me perguntam como lidei com aqueles problemas de adolescência, de comportamento, a rebeldia, teimosia e tal, porque tem muitos problemas com seus filhos ou temem tê-los no futuro e eu fico sem ter o que dizer. Não tenho experiência nesse campo. Não que os meus filhos sejam santos, mas não tenho registro de grandes problemas até agora. Só a vida normal. Talvez por não valorizar demais esses pequenos problemas. Com tantos pais enfrentando problemas realmente sérios com drogas, marginalidade, agressividade, os problemas com cuidado pessoal, higiene doméstica, notas baixas, miguxês, xuxa, axé e funk entre outros que tive até hoje se resumem ao que são na verdade: bobagens. Coisas que se resolvem em casa, com diálogo, comunicação, troca de experiências, parceria, carinho, atenção, amor...


Não me considero o melhor pai do mundo, mas tenho os melhores filhos. Eles são ótimos e são gremistas!


Como disse antes, tenho muito orgulho de ser pai deles e espero que eles me amem tanto quanto eu os amo.


Poti e Júlia, um beijo, meus filhos...



e pra vocês... Aquele abraço!!!



sábado, 13 de junho de 2009

Meu nome é Rádio


Não sei vocês, mas eu escuto muito rádio.


Quando digo muito, quero dizer muito mesmo.


Acordo por volta de 6 da manhã já com o rádio ligado. Tem o rádio-relógio ao lado da cama, um pequeno à prova d’água no banheiro pro banho, barba e outras coisas demoradas, o som da sala, clássico com prato pra vinil e tudo, e o meu MP4, aparelho que mudou a minha vida. Não precisa pilha. Tem uma bateria recarregável, é pequeno, da pra andar sempre com ele e posso gravar o Cafezinho e carrega pela USB. Uma maravilha!!!


Tenho outro rádio que vou deixar na cozinha pra não acordar mais os vizinhos com o rádio da sala de madrugada, quando acordo.


Gosto de ouvir música. Por sorte temos aqui em Porto Alegre algumas emissoras FM bem boas e mais umas ótimas. Dependendo do momento ou da programação, opta-se por uma ou outra. Tem música e informação.


Há que se considerar o gosto musical de cada um. Eu gosto de rock, blues, ritm-blues, Black music tipo soul ou funk, pouca coisa de reagge. Melhor dizer que prefiro esses estilos, porque na verdade gosto de muita coisa. Qualquer coisa, desde que seja bem feita ta valendo. Como disse antes, depende do momento.


Como a maioria já sabe, sou bem antigo. Faz tempo que to por aqui e que ouço rádio. Lembro da minha mãe ou alguma empregada ouvindo uns programas esquisitos no rádio a válvulas que ficava em cima do balcão da sala ou num radinho na cozinha. “Rádio Teatro da Uma e Meia”, radio novela, pra vocês terem idéia do tempo que faz. “Não diga não ao Sayão” (Lobato), “Bom dia, bom dia mesmo com Omar Cardoso”, i... um monte de coisas.


Desde os anos 70 com o surgimento da Continental AM e esse modelo de comunicação voltada ao público jovem fiquei viciado em rádio. Depois vieram as FM com a Cidade, mais tarde apareceu a Ipanema, a mãe de todas, de onde saíram ou por onde passaram os melhores comunicadores destes tempos modernos.


A antiga FELUSP seguia o mesmo modelo, mas virou Poprock, muito mais pop do que rock e ficou bem ruim. Ultimamente está muito mais rock do que pop, com uma equipe muito boa e uma programação musical joínha.


Ipanema e Poprock são as que mais ouço. A partir daí vai variando entre Antena.1 pros momentos de intimidade e saliência, Itapema e Cultura raramente e a Gaúcha no FM pra ouvir os jogos do Grêmio quando não tem Máquina.


Máquina é a Máquina do Cafezinho.

Quem não ouviu ainda deve experimentar. É a transmissão dos jogos da dupla GRE-nal feita pela equipe da Poprock. Um jeito diferente de ouvir e curtir o futebol do teu time, claro, considerando que sejas gremista ou colorado. Se não, podes ouvir também que é bem divertido.

Eles transmitem sempre o jogo que esta acontecendo em Porto Alegre, do Grêmio ou do colorado. O programa é bom por ser tendencioso ao máximo. Nos jogos do Grêmio a equipe é toda composta por gremistas, com exceção do narrador que é colorado, mas tenta ser imparcial. Nos jogos do colorado acontece a mesma coisa. Claro que a transmissão fica bem menos interessante, mas nada pode ser perfeito. Então não tem aquela encheção de saco de ser obrigado a ouvir pedaços do jogo do outro. É muito bom!!!


Tudo isso é pra explicar que quando o Grêmio joga fora de Porto Alegre não tem Máquina, então tenho que ouvir outra rádio.


A Poprock diz assim: Música é o nosso oxigênio. Não chego a tanto, mas não imagino meus dias em silêncio.


Tem uma vinheta que diz assim: Brasileiro não vive sem rádio. Eu concordo e sou um exemplo vivo disso.


Aquele abraço...


quinta-feira, 4 de junho de 2009

O escolhido


Eu não gostava muito do meu nome.


Potiguara...


Nunca gostei. Não, não posso dizer isso. Seria um exagero.


Então direi que desde a infância tive problemas com meu nome. Assim fica melhor. Até porque, na verdade, nem sei se antes de entrar no colégio já havia ouvido meu próprio nome. Se ouvi, não dei muita importância ou fiz que não era comigo.

Eu sou Júnior. Tenho o mesmo nome do meu pai. Mas meu pai não era chamado pelo nome em casa. Minha mãe o chamava de “negrão” e nós, eu e meus irmãos, obviamente o chamávamos de Pai.

Minha mãe me chamava de júnior e o resto do mundo me tratava pelo apelido. Não vou dizer qual era, ou melhor, qual é, porque ainda me chamam assim na família. Com exceção de alguma ocorrência em salas de espera de médicos ou dentistas, ninguém referia meu nome pra nada.


Quando entrei no colégio com meus 7 anos e meio, na chamada do primeiro dia de aula, ao ouvir meu nome (a primeira chamada a gente nunca esquece), quase procurei pela sala pra ver quem era aquele com o nome esquisito. Era eu... Quando me acusei, notei que todos os colegas haviam pensado a mesma coisa, e o pior, externaram isso com risinhos e comentários.

A gente sabe como criança é sincera; e cruel na sua sinceridade, mas quase nunca lembramos ou imaginamos o que é sofrer esta crueldade.

Claro, hoje em dia isso tudo me parece ridículo, mas na época e durante muitos anos eu fugi desse nome. Pensei até em trocar. Me perguntava porque justamente Eu havia sido o escolhido para “carregar” essa homenagem. Depois descobri que meu pai havia tentado o mesmo com meus irmãos, sem conseguir convencer minha mãe.


Mas ele era um brasileiro e não desistiu até conseguir.

Sei la quantos irmãos eu teria se minha mãe não tivesse cedido.


Meu pai e meus irmãos em todos os empregos por onde passaram, no quartel, em cursos, times de futebol, sempre foram “ô Perêra”. Eu sempre fui o Poti, Pôti, Potígua e assim vai. Até no quartel. Isso por um lado foi bom, porque fui me acostumando com ele e aos poucos me afeiçoando. Com o tempo a coisa foi acalmando.


Passamos por vários processos durante a vida e à elaboração dessas experiências podemos chamar amadurecimento.

Dizem que os homens nunca amadurecem, apodrecem direto, mas isso não é bem assim. Sempre há alguma melhora e sempre se pode aproveitar alguma coisa de cada um de nós, representantes da masculinidade, nem que seja a “aptidão” para abrir vidros de azeitona e carregar sacolas de super.


Aos poucos fui me dando conta do quanto essa história do nome era importante para o meu pai e passei a assinar mais legível, além de colocá-lo sempre em destaque quando possível.


Creio que nesse processo eu consegui me sair bem. Hoje, olhando pra trás e lembrando de meu velho e saudoso pai, da forma orgulhosa como ele proferia o seu nome e muito mais o meu, sinto-me honrado por ter sido o escolhido e tento fazer por merecer esta homenagem.


No final das contas, o agraciado sou eu e sinto-me orgulhoso por poder carregar comigo toda a força e importância que este nome representa para mim.


Saudades do meu velho...



Aquele abraço...!!!